Crítica: Apaixonados na cidade (Netflix)

Velho Também vê dorama. Crítica: Apaixonados na Cidade (Netflix).

Salve pessoas velhas de todas as idades, estou de volta com mais uma crítica de k-drama e o escolhido da vez foi “Apaixonados na Cidade (Lovestruck in the City)”. A série foi indicação de uma amiga que me convenceu facilmente ao dizer que a foi escrita pela Jung Hyun Jung, que também escreveu “Romance is a bonus book”, um dos meus prediletos. A direção fica por conta de Park Shin-Woo que também dirigiu “It’s Okay to Not Be Okay”, outro k-drama que está na Netflix (e na minha lista “para ver”).

Um ponto interessante desta série é que ela foge do padrão de ter apenas uma temporada com 16 episódios de pouco mais de 1 hora de duração. O K-drama foi programado para ter mais de uma temporada, sendo que esta primeira teria 16 episódios com 30 minutos cada. Acabou que os produtores decidiram incluir um episódio extra para abrir uma nova história, mas ao que tudo indica a série não fez o sucesso esperado para ter uma segunda temporada. Será que a série realmente é ruim assim? Vamos à crítica.

Amor de verão não sobe a serra

Velho Também vê dorama. Crítica: Apaixonados na Cidade (Netflix). Imagem por KakaoTv.

Vamos começar com a sinopse, extraída do aplicativo da Netflix:
“Depois de viver um romance na praia, o arquiteto Park Jae-Won (Ji Chang-Wook) tenta encontrar Yoo Seon-a (Kim Ji-Won), a mulher que fisgou seu coração, nas ruas de Seoul.”

Quem acompanha o podcast do site, VTNCast, sabe que a gente vive tirando sarro das sinopses destes serviços de streaming e essa de “Apaixonados na cidade” segue a tradição da Netflix com sinopses ruins.

O seriado até foca neste amor de verão que não subiu a serra (ou não pegou avião, já que a praia fica na ilha de Jeju na Coréia do Sul), mas o tema principal é sobre as dificuldades amorosas que jovens enfrentam em uma cidade como Seoul. Para isso é usado o formato de mockumentary (um tipo de documentário falso, estilo “The Office”) acompanhando a vida de 6 jovens, entre eles o casal citado acima. Os outros personagens são: Choi Kyeong-Jun (Kim Min-Suk) que é primo de Park, Suh Rin-I (So Ju-Yeon) namorada de Choi, Oh Seon-Yeong (Han Ji-Eun) uma professora de educação física e Kang Geon (Ryoo Kyung-Soo) um escritor.

Não vou entrar em spoilers, mas durante o desenvolvimento das histórias você acaba descobrindo o óbvio: as vidas das personagens se conectam. Ainda que isso não seja algo inovador, é muito interessante a maneira como essa conexão é feita em “Apaixonados na cidade”.

Cada personagem possui características próprias que acabam complementando os outros, fazendo com que a audiência tenha uma visão bem completa sobre a complexidade dos relacionamentos atuais, pelo menos na Coréia do Sul. E esse é um fator bem interessante, porque os costumes do país me soam totalmente alienígenas, se comparados aos meus tempos de jovem e solteiro (muito tempo atrás, eu sei). O lado bom é que, apesar da complexidade do tema, isso é feito em um tom de comédia bem leve. Tão leve que os momentos que são mais pesados me causaram um grande impacto. Realmente não esperava isso na série, já que todo andamento dela é bem leve e fora isso as interpretações estão muito boas.

Sempre que vejo um conteúdo em um idioma que eu não falo, tento ver dublado e só desisto quando a dublagem é ruim, o que não é o caso aqui. Fiquei impressionado com a qualidade do trabalho dos dubladores e da direção que foi dada para este trabalho. A escolha do Felipe Drummond para dublar o Park ficou excelente, principalmente pelo leve sotaque e incorporação de gírias nossas. Acredito que isso faz o personagem ficar ainda mais próximo da audiência brasileira. Como falei, apesar do tom leve de comédia romântica, tem momentos de drama e nessa hora eu fiquei espantado com a entrega da dubladora Carina Eiras. Gosto muito de rever as melhores cenas no idioma original, porque daí eu já tenho o contexto do que se passou e posso só observar a entrega dos atores, e ao fazer isso o trabalho de dublagem se mostrou ainda melhor ao se mostrar capaz de entregar a mesma carga de emoção do original.

Um ponto alto é a excelente trilha sonora. A quantidade de músicas acaba sendo pequena, mas é marcante. Acho que desde “Smallville” eu não ficava tão grudado e prestando atenção nas músicas tocadas dentro de uma série, só para ir anotando nomes e colocando na playlist.

A fotografia deste k-drama é outro ponto muito bom, conseguindo mostrar uma Seoul que eu ainda não tinha visto, mesclando os espaços ao ar livre sem deixar de lado a pegada urbana. Este aspecto poderia dar muito errado, pois, se a vida na cidade fosse mostrada de maneira muito fechada/enclausurada iria causar um desconforto grande ao nos mostrar o período da história que se passa na praia. Isso poderia acabar nos distanciando da história, o que não acontece.

E se Friends encontrasse com How I met your mother?

Velho Também vê dorama. Crítica: Apaixonados na Cidade (Netflix). Imagem por KakaoTv.

A história de “Apaixonados na Cidade” é contada de maneira muito leve e descontraída, apesar de pequenos momentos que me causam irritação. Logo no começo já vemos que não será um k-drama comum, porque rola beijo e até sexo, coisas que costumam ser bem restritas nos k-dramas. O ponto fraco é que a briga do casal central se torna muito repetitiva e cansativa, chegando a me dar vontade de acelerar estes trechos, mas por sorte estes momentos eram curtos e no geral todo o clima fica bem parecido com sitcoms estadunidenses. Em alguns momentos parecia até um cruzamento de “Friends” com “How I met your mother” e isso não é demérito para “Apaixonados na cidade”, pelo contrário. Não sei o quanto essa pegada sitcom é influencia da Netflix, mas para mim funcionou e ficaria bem feliz de ver mais umas temporadas com a vida destes amigos. Uma pena que a audiência tenha sido tão baixa e com isso as chances de uma segunda temporada fiquem bem reduzidas.

Existe amor na cidade?

Velho Também vê dorama. Crítica: Apaixonados na Cidade (Netflix). Imagem por KakaoTv.

“Apaixonados na Cidade” possui uma parte técnica impecável, com uma fotografia linda, uma trilha sonora muito agradável e um trabalho de edição fantástico. O começo pode ser um tanto quanto confuso e meio caótico, porém não se assuste porque no fundo o roteiro é bem simples e funcional, além do tema ser bem atual. Tudo isso é suportado por um grupo de personagens críveis e que poderiam ser seus amigos. Essa simpatia por eles é ajudada não só pelo roteiro, que possui diálogos realistas, mas também pela entrega dos atores e atrizes. Fora isso, cada episódio nos traz uma pergunta para refletirmos como lidamos com nossa vida e relacionamentos. Podem ser coisas simples como “você já apagou após uma bebedeira” até coisas complexas como a pergunta se existe uma maneira certa de terminar um relacionamento. O único ponto realmente baixo de “Apaixonados na cidade” é que este k-drama foi pensado para ter, pelo menos, uma segunda temporada e com isso o final acaba não sendo o ideal. Espero que a audiência na Netflix seja o suficiente para que seja realizada uma segunda temporada, mas até lá a nota para este seriado é 3 bengalinhas.

Velho Também vê dorama. Crítica: Apaixonados na Cidade (Netflix). Nota: 3 bengalinhas.

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