Crítica – X-Men Dinastia X e Poderes de X

Velho Também lê quadrinhos - Crítica X-Men House of X/Powers of X
Velho Também lê quadrinhos – Crítica X-Men House of X/Powers of X

Backstreet’s X-Men is back alright

Finalmente estou escrevendo novamente sobre quadrinhos e desta vez não é uma graphic novel, mas sim um quadrinho mensal.
Desde a adolescência/início da vida adulta que eu não lia uma revista periódica de herói, então gastei um tempo procurando qual seria o escolhido para voltar com este hábito e para minha surpresa os X-Men, meus heróis prediletos junto com o Homem-Aranha, estavam passando por um “reboot” e a Panini tinha todas as edições para venda, o que facilitaria ter um ponto de entrada nesta nova saga. E qual saga é esta? Estou falando de Dinastia X e Potências de X, que estão reunidas nas edições 1 a 4 da revista X-Men lançada pela Panini.

A história, que é escrita por Jonathan Hickman, dá uma verdadeira chacoalhada no universo dos mutantes. Basicamente o professor Charles Xavier oferece para a humanidade novas drogas (remédios) capazes de curar qualquer doença e ainda prolongar a vida dos humanos, mas em troca ele quer que as nações do mundo reconheçam e aceitem uma nação mutante independente. Ele ainda vai mais longe e exige que aceitem que os mutantes passarão a obedecer às regras desta nação e só podem ser julgados por seus iguais. Surpreendente não?
Parece que Xavier finalmente desistiu de querer igualdade e aceitação para seus irmãos e decidiu que eles teriam sua própria nação com suas próprias regras. Por isso ele consegue convencer não só Magneto, mas praticamente todos os mutantes à trabalharem por esta causa. Você deve estar se perguntando onde eles iriam morar, certo? Pois é, ele se aliou com Krakoa, a Ilha viva mutante, e tornou este lugar a pátria dos X-Men. Estou falando, ele finalmente consegue unir os mutantes.

Velho Também lê quadrinhos – Crítica X-Men House of X/Powers of X. Alfabeto Krakono e o capricho da edição.

Esta história foi dividida em duas minisséries (chama assim?), Dinastia X e Poderes de X, que contaram com 6 edições cada e se complementam, ou seja, tem que ler as duas para entender tudo. Enquanto nos EUA estas histórias foram lançadas em revistas diferentes, aqui no Brasil a Panini uniu tudo nestas 4 edições e inclusive já as organizou na ordem que devem ser lidas.  O objetivo final é criar todo o ambiente para “Aurora de X”.

Hickman quebrou a história em 4 períodos de tempo diferentes e você vai acompanhando todas elas de maneira intercalada. Pode parecer confuso, mas são bem escritas e quando chega ao final você entende perfeitamente qual era a ideia e o que aconteceu em cada momento. Também são usados alguns conceitos de ficção científica, ajudando a parecer algo mais sério. Fora isso, a maneira que a criação da nova nação é abordada é bem interessante, principalmente pelo contexto político que isso traz. Para não falar que parece bem ancorado no mundo real, afinal, o Brasil é uma das poucas nações que não reconhece a nação Mutante e não o faz por questões políticas.

Não só a qualidade do texto, como todo o cuidado com material auxiliar, é espantosa.  Criaram um alfabeto próprio para esta nova nação, criaram inúmeras fichas de arquivo que vão ajudando a te inserir neste mundo e explicar o que é necessário você saber sem ter que prejudicar o andamento do quadrinho em si. Estes elementos não apenas te inserem no mundo como também ajudam os novos leitores a saberem os pontos importantes do passado dos X-Men e que podem influenciar ali.

A ilustração dos quadrinhos é dividida entre o espanhol Pepe Larraz (Dinastia X) e o brasileiro R. B. Silva (Poderes de X) e ambos entregam muito bem o seu trabalho. Pepe e R. B. também foram coloristas das revistas (na verdade R. B. Silva dividiu as cores com Adriano Di Benedetto). Vi bastante harmonia no trabalho dos dois. E olha que eles precisam desenhar um volume grande de personagens em situações que vão desde viagens espaciais até porradaria generalizada entre heróis e vilões. Muito legal quando a arte de diferentes revistas te permite seguir conectado na história sem nenhum incomodo.

Para não dizer que eu gostei de tudo, tem um ponto específico desta nova saga que me deixou bem dividido e curioso para saber como a história vai se integrar com outras revistas da Marvel. Não acredito que seja spoiler, então lá vai: Xavier criou uma maneira dos mutantes não morrerem mais. Na verdade, eles até morrem, mas podem ser criados novamente, inclusive com suas lembranças. Entendo que morrer sempre foi um problema nos quadrinhos, afinal, mesmo quando isso acontece nada garante que vai ser definitivo, porém eliminar totalmente este fator me parece bem audacioso. Vamos ver como vão lidar com isso.

Falando da edição da Panini, apesar do preço salgado de R$ 24,90 por edição, a revista é longa (100+ páginas) e muito bem feita. O material das páginas, a qualidade de impressão, tudo muito bom. Dá para ver que tiveram cuidado até com os itens escritos na linguagem própria dos mutantes. Também capricharam nas traduções e adaptações do texto e do material “extra”. A primeira edição inclusive vem com sementes para você plantar e criar seu próprio portal para a ilha nação dos mutantes.

Velho Também lê quadrinhos – Crítica X-Men House of X/Powers of X. Sementes de Krakoa.

Como podem ver, o projeto todo parece bem ambicioso. Todo o sucesso anterior de Hickman deve ter garantido carta branca para ele fazer o que quiser (caso não saiba, o autor trabalhou em diferentes quadrinhos da Marvel e sempre com vendas muito boas) e ele não foi tímido, criando algo audacioso e bem diferente.

A história realmente me surpreendeu. Eu acreditava que a única maneira de começar uma nova história, de heróis tão antigos, seria com um reboot, mas isso não acontece. Méritos do autor que escreveu toda essa saga. Sem dar um reboot ele consegue criar um cenário novo e acolhedor para os leitores antigos e para os que chegaram agora. Mesmo eu, que não lia um quadrinho mensal dos X-Men tem uns 20 anos, rapidinho entendi tudo e já me senti inserido no universo. Se você gosta de quadrinhos e gosta de heróis Marvel, deveria ler esta saga. Agora se você já é fã dos X-Men você tem a obrigação de ler.

Velho Também lê quadrinhos – Crítica X-Men House of X/Powers of X. Nota: 4 de 5 bengalinhas.

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