Review -What Remains of Edith Finch

Capa do jogo "What Remains of Edith Finch".
Velho Também Joga
Review – What Remains of Edith Finch – Velho Também Joga

Velho também joga jogo velho, ou melhor, jogo antigo.
Como sempre estou atrasado no meu calendário de jogatina, só agora dei uma oportunidade para “What Remains of Edith Finch”. Só para dar uma idéia dos meus atrasos, enquanto esperava o PS5 eu finalmente joguei “Red Dead Redemption” (o primeiro mesmo, não leu errado), ou seja somente em Outubro de 2020 eu zerei este jogo de 2010.
Voltando ao tema, encontrei o “What Remains of Edith Finch” quando estava fazendo uma faxina no HD do PS5, que estava lotado. Tenho o hábito de baixar todos os jogos “pequenos” que são dados na Plus e muitas vezes esqueço que existem. Ao encontrar precisei tomar a decisão de remover ou jogar antes. Decidi jogar e foi uma decisão super acertada, porque, já adianto, o jogo é excepcional.
Vamos à crítica/review? Sem spoilers. 😉

Era uma casa muito engraçada, não tinha teto não tinha nada

Velho Também joga: review de “What Remains of Edith Finch”. Imagem por Annapurna Interactive/Giant Sparrow.

O ideal é começar falando da história do jogo e como não quero entrar em spoilers, vou deixar colada a sinopse do jogo, que eu traduzi livremente o que estava no Google.

“A história é contada pela própria Edith, e ela já começa dizendo que se acredita que a família Finch seja amaldiçoada, pois apenas uma criança de cada geração sobrevive.” Este ponto, e o visual do início, me prenderam (olar Myst, saudades).

Comecei sem ter ideia do que se tratava e marquei no relógio 30 minutos para ver se o jogo me fisgaria ou não. Pois bem, nem percebi as quase 3 horas que levei para terminar o jogo.

Não basta a história ser muito boa, a maneira que ela é contada te faz ficar curioso e seguir jogando. Isso para não falar que o texto lido/falado pela Edith ainda se integra ao cenário e, em algumas partes, se integra à jogabilidade. Sim, a história influencia na jogabilidade, pois cada história possui uma mecânica de jogo diferente.

Não tem como dar menos do que 5 bengalinhas para a história do jogo.

Velho Também joga: review de “What Remains of Edith Finch”. História: 5 Bengalinhas.

Ps.: o jogo me arrancou um par de lágrimas.

Ninguém podia entrar nela não, porque na casa não tinha chão

Velho Também joga: review de “What Remains of Edith Finch”. Imagem por Annapurna Interactive/Giant Sparrow.

Sabe a história influenciando a jogabilidade? Então, cada história contada no jogo traz uma mecânica diferente da anterior. Isso é tão genial que me faz discordar totalmente de quem diz que “What Remains of Edith Finch” é mais um filme interativo do que um jogo de videogame. Em minha opinião estas pessoas não entendem a principal diferença de um jogo de videogame para um filme: a imersão proporcionada por você ser responsável pelas ações. O fato de o jogo ser inteiro em primeira pessoa também ajuda muito a te colocar dentro da história.

A decisão de ter cada história trazendo uma mecânica diferente acaba fazendo com que a imersão seja ainda maior. O jogo possui uma das fases mais bem construídas que já vi nos videogames. Nesta fase a mecânica, aliada à narrativa, te colocam na pele de um trabalhador que faz uma atividade extremamente repetitiva enquanto a cabeça fica distante pensando em outras coisas. Os desenvolvedores fizeram um trabalho inacreditável, porque eu realmente me senti na pele do personagem. A suavidade com que você vai se aprimorando naquela atividade, deixando-a tão mecânica ao ponto de você já nem pensar mais no que está fazendo, e se distrair com outras coisas foi perfeita. Fica até difícil falar sem entrar em spoilers. Além desta fase, existem outras que vão te colocar dentro de um revista em quadrinhos, na pele de alguns animais, e assim vai.

Além das diferentes mecânicas, a maneira que os cenários foram construídos faz com que você quase nem perceba que existe só um caminho pela frente. O tempo todo parece que foi sua curiosidade que te moveu para o próximo local.

Só não darei 5 bengalinhas porque, infelizmente, por duas vezes eu tive que recomeçar o jogo por conta de um bug que não permitia avançar. Ainda assim “What Remains of Edith Finch” leva 4,5 bengalinhas.

Velho Também joga: review de “What Remains of Edith Finch”. Jogabilidade e Level Design: 4,5 Bengalinhas.

Ninguém podia dormir na rede, porque na casa não tinha parede

Velho Também joga: review de “What Remains of Edith Finch”. Imagem por Annapurna Interactive/Giant Sparrow.

Os gráficos do jogo são bons, lembrando que é um jogo de 2017 e que foi originalmente lançado para a geração PS4. Eles cumprem o seu papel na maior parte do tempo e os desenvolvedores foram bem criativos. Um bom exemplo são as legendas que se integram totalmente aos cenários. Lembrando que a narrativa se baseia no texto de um diário e de muitos outros que foram espalhados pela casa, então a legenda não é opcional, pelo contrário, é um componente do gameplay. A empresa teve o cuidado até para que as legendas em outros idiomas se integrassem perfeitamente. Isso que estamos falando de um jogo independente.

Por se tratar de um jogo baseado em narrativa, com bastante personagens aparecendo, era muito importante que todos eles tivessem peculiaridades e características únicas, caso contrário poderia ficar confuso. E aqui, novamente, o cuidado da produção fica bem evidente. Cada um dos moradores da casa, ao morrer, ganhou um pequeno museu em seu antigo quarto e mesmo quando um quarto era dividido (caso dos gêmeos Sam e Calvin) a identidade visual de cada metade do quarto é bem distinta e representa bem a personalidade de seu antigo dono. Aliás, a casa da família é incrível e deve ficar marcada como uma das mais icônicas que já vi em um jogo.

É importante ressaltar que, ainda que as fases possuam mecânicas distintas, o visual delas nunca destoa das fases anteriores ou posteriores, e isso em um jogo que chega a ter uma fase dentro de uma história em quadrinhos.

Apenas duas coisas me impedem de dar a nota máxima aqui, são elas: a fase em que “aparecem animais” tem um dos tubarões digitais mais feios que eu já vi e falta pó em uma casa que está fechada faz tantos anos. Só que isso eu sei, é apenas preciosismo, o que não reduz muito a nota que fica em 4,5 bengalinhas.

Velho Também joga: review de “What Remains of Edith Finch”. Gráficos: 4,5 Bengalinhas.

Extra: gastei bastante tempo vendo os títulos dos livros pela casa e vi que vários ali existem de verdade. Inclusive vou destacar dois que me chamaram atenção:
              – Cem anos de solidão, por Gabriel García Márquez. Além dele ser meu autor predileto, me chamou atenção o fato de também ser contar a história de uma família dentro de um realismo fantástico.
              – O Aleph, por Jorge Luis Borges. Fora o fato de ser outro autor latino, ele tem mais uns dois livros de sua autoria espalhados pela casa, mas este aqui me chama atenção pelo quanto os contos presentes nele conversam com o jogo. Isso fora o fato do autor gostar de ter o leitor como integrante ativo das histórias que contava.
É muito capricho na produção, não?

Ninguém podia fazer pipi, porque pinico não tinha ali

Velho Também joga: review de “What Remains of Edith Finch”. Imagem por Annapurna Interactive/Giant Sparrow.

Precisa falar que não faltou capricho na trilha sonora? Pois bem, lá vai: não faltou capricho na trilha sonora. Também capricharam nos efeitos sonoros e arrebentaram na dublagem.

Ainda que a trilha sonora não seja marcante ao ponto de você reconhecer todas as músicas se as ouvir tocando fora do jogo, ainda assim ela se encaixa perfeitamente na história e na mecânica apresentada.

Para mim os efeitos sonoros se destacam mais que a trilha, porque você sente o peso do personagem e suas ações. Sente a natureza ao redor e principalmente: sente a casa e como ela responde às suas ações. Em alguns momentos a profundidade e distribuição dos efeitos sonoros me faziam tirar os fones para ver se era algo se passando ao meu redor.

Agora, o que brilhou mesmo foi a atuação dos atores, ou seriam dubladores, mesmo sem dublar um personagem virtual na maior parte do tempo? Bom o voice acting, ficou espetacular. Você sente a emoção em cada frase. Destaque especial para a Valerie Rose Lohman que faz a voz da Edith. Perfeita.

Velho Também joga: review de “What Remains of Edith Finch”. Som: 4 Bengalinhas.

Mas era feita com muito esmero, na rua dos bobos número zero

Em minha opinião o time da Giant Sparrow, que já havia brilhado no jogo “The Unfinished Swan”, acertou novamente na criação de um jogo fora dos padrões.

A história do jogo é excelente e a jogabilidade trabalha totalmente a favor dela. O jogo traz diferentes mecânicas e possui uma das melhores, e mais criativas, fases que já joguei. Só por isso já valeria a recomendação, mas o jogo ainda tem um cenário muito bonito e bem feito. Os efeitos sonoros e dublagem estão espetaculares e a trilha sonora também é caprichada.

Definitivamente se você gosta de um bom jogo de videogame você deve jogar “What Remains of Edith Finch”, um jogo que tecnicamente é quase perfeito e ainda tem uma história que ficará contigo por muito tempo. Foi realmente feito com muito esmero e por isso leva X bengalinhas.

Velho Também joga: review de “What Remains of Edith Finch”. Nota do jogo: 4,5 Bengalinhas.
*Não é uma média das outras notas.

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