Review: Resident Evil 2 Remake

Velho Também: Review Reident Evil 2 Remake
Review Reident Evil 2 Remake. Velho Também Joga

E hoje no “Velho Também…” teremos um “Velho Também Joga”, pois é pessoas velhas de todas as idades, vou falar de joguinho. E vou falar de joguinho de terror de sobrevivência ou survival horror.
Aproveitei uma promoção e peguei Resident Evil 2 Remake, será que temos aqui (mais) um caça-níquel da Capcom ou uma homenagem justa à um clássico dos games?

Muito prazer Leon, sou a Claire

Velho Também joga: review de “Resident Evil 2”. Leon e Claire tomando um banho de chuva. Imagem divulgada pela Capcom.

Diferente dos personagens principais que se encontram neste jogo pela primeira vez, o velho aqui (e grande parte dos jogadores) já conhecia o jogo original lançado em 1998. A primeira coisa que me vem a cabeça é que o jogo não precisava de um remake, afinal é um clássico já criado na “geração 3D”. Bom se você não voltou para ver o jogo original, como o velho aqui não havia feito, sugiro que volte e veja que ele não envelheceu nada bem, como aliás a grande maioria dos jogos poligonais da geração PSOne.
Deixando de lero-lero, vamos ao review SEM SPOILERS.

Já vi essa história antes

Velho Também: Review Resident Evil 2 Remake
Velho Também joga: review de “Resident Evil 2”. Leon e seus amigos zumbis. Imagem divulgada pela Capcom.

Pelo que minha limitada memória me permite, percebi que a história do jogo continua igual, vamos à curta sinopse:

Claire Redfield (dublada por Stephanie Panisello) está em Racoon City procurando seu irmão Chris, porém pensa em alguém no lugar errado e na hora errada, esta é nossa personagem principal, que chega na cidade dois meses após os acontecimentos de Resident Evil 1 e por isso encontra o caos, já que grande parte dos moradores acabou virando zumbi. Por um acaso do roteiro destino ela encontra com o novato Leon S. Kennedy (Nick Apostolides) e juntos eles decidem voltar para a delegacia em busca de pistas sobre o que está acontecendo e um acidente faz com que eles acabem se separando, deixando ao jogador a escolha de qual personagem irá jogar.

Que me desculpem os fãs – e eu já fui tão fã da série ao ponto de optar pelo GameCube (contei esta história em nosso podcast: VTNCast 007), já que seria a plataforma oficial dos jogos – mas a história de RE está longe de ser um primor. Acontece que ela ainda fazia algum sentido nos primeiros jogos (do 0 ao 3, para ser específico) e aqui ela segue intocada, sendo executada da maneira que eu gosto: contada pelos personagens, contada por documentos e timidamente contada pelo cenário (algo que The Last of Us iria se inspirar e elevar a enésima potência). Sim, ainda se exige muita suspenção de descrença, mas você esperaria o que de um jogo sobre apocalipse zumbi nos anos 90? Vai ter estátua com passagem secreta em saguão de delegacia, vai ter todo tipo de ser alterado geneticamente para fazer o que o roteiro precisar e vai ter susto gratuito sim!

Dito isso, apesar do jogo mudar bastante nos cenários da Claire e do Leon, a história tem detalhes importantes que só se descobre com um ou outro personagem e por isso merece que você jogue duas vezes.
A história consegue fazer um link natural com o primeiro jogo e também introduz a personagem Ada Wong (Jolene Andersen), que havia apenas sido mencionada em um dos documentos do primeiro jogo.
Por se manter fiel à história original, com pequenas alterações na interação entre os cenários,
a nota para história

Velho Também joga: review de “Resident Evil 2”. História: 3,5 bengalinhas de 5.

A minha voz continua a mesma, mas meus cabelos quanta diferença

Velho Também: Resident Evil 2 Remake
Velho Também joga: review de “Resident Evil 2”. Os cenários estão ainda mais envolventes e assustadores. Imagem divulgada pela Capcom.

Na verdade, a voz dos personagens também mudou, mas isso fica para o tópico sobre a parte sonora do jogo. Aqui quero falar sobre os gráficos do remake e já adianto que ficaram espetaculares.
Não sei quanto tempo faz que você viu o jogo original, mas eu acabei de rever, pois queria entender o tamanho da mudança, e fui surpreendido com o quanto o jogo original está datado. Por mais que os cenários pré-renderizados amenizem um pouco o peso da idade, os personagens e CGIs entregam que é um produto de 20+ anos de idade.
Devo dizer que joguei no PS5, e com a opção de HDR habilitada a iluminação dos ambientes fica ainda melhor e a tensão aumenta. Uma pena que esta opção desabilite o recurso de streaming para YouTube e Twitch. Bola fora da Capcom. Acho que o trabalho de iluminação é o fator que mais contribui para a atmosfera de terror e impacto de inserção no mundo do jogo. Agora os corredores e cômodos escuros ganham ainda mais tensão, já que você muitas vezes conta apenas com sua lanterna para iluminar estas áreas e isso era algo bem limitado antigamente. Agora funcionou muito bem.

A alteração de câmera fixa para visão em terceira pessoa também é fundamental para te colocar na pele dos personagens. Gostei de ver a engenhosidade dos desenvolvedores, pois, tiveram que trocar os sustos que eram focados em partes do cenário que a câmera não mostrava por sustos integrados ao ambiente e fizeram isso com primor. O fato de os corpos de zumbis não sumirem também ajuda a elevar a tensão. Tanto os personagens quanto os cenários foram reconstruídos como um título para a geração PS4/Xbox One. Para mim o título está um pouco abaixo dos AAA exclusivos de ambas as plataformas, porém acima da maioria dos outros jogos. Com isso a nota é:

Velho Também joga: review de “Resident Evil 2”. Gráficos: 4,5 de 5 bengalinhas.

O Som do Silêncio

Velho Também: Resident Evil 2 Remake
Velho Também joga: review de “Resident Evil 2”. Mais do que nunca, estar atento aos sons se faz vital. Imagem divulgada pela Capcom.

Sei que o som, quando bem feito, é protagonista de qualquer obra audiovisual, porém quando o tema é terror, acho ainda mais imporante.
Resident Evil chega mostrando que menos é mais, pois o jogo prioriza o som ambiente ao invés de uma trilha sonora. A trilha até aparece, mas está focada nos momentos de tensão. Aqui vale ressaltar outra bola fora da Capcom, que, caça-níquel como sempre, tenha disponibilizado a trilha original apenas para quem comprou uma versão mais cara do jogo. Gostaria de matar a saudades.
Acho importante dizer que minha jogatina foi dividida entre o som com o fone de ouvido (new Gold da própria Sony) e um receiver com 6 caixas de som e 1 subwoofer e de ambas maneiras o som cumpriu o esperado que é aumentar a tensão.

O tempo todo você está escutando algo que não vê, seja a chuva, sejam os zumbis fora da delegacia, seja algo andando e se escondendo. É impressionante o cuidado. O trabalho de dublagem, em inglês, e interpretação está muito bom. Chega a ser engraçado lembrar do passado, Resident Evil 1, com dublagens e atuações bem canastronas.
Senti falta da dublagem em português, mas pelo menos havia a possibilidade de ativar as legendas, o que ajuda quem não é fluente na língua inglesa.
Quanto aos dubladores, pelo que li o motivo de terem mudado novamente é para que os mesmos possam dublar as animações novas que sairão. Acho essencial que personagens icônicos tenham sempre a mesma voz (caso o dublador ainda esteja vivo e trabalhando, óbvio), porque isso me ajuda a acreditar neles.
Minha nota é:

Velho Também joga: review de “Resident Evil 2”. Som: 4 de 5 bengalinhas.

Tanque de guerra? Não mais

Velho Também: Resident Evil 2 Remake
Velho Também joga: review de “Resident Evil 2”. Jogabilidade aliada com a nova câmera dão outra cara para o jogo. Imagem divulgada pela Capcom.

Que jogabilidade! É incrível a transformação/modernização dos controles em Resident Evil 2 Remake. Sei que a visão em terceira pessoa chegou no RE 4, porém aqui me parece que ela chegou ao seu melhor momento dentro deste jogo. Além da imersão melhor, em um ambiente realmente de terror, te ajuda enfrentar os inimigos sem surpresas.
O ponto baixo é que fica mais fácil ver você acertando os tiros na cabeça do zumbi que simplesmente ignoram isso e seguem atrás de você. Dava para ter arrumado hein Capcom.

Como escrito na parte dos gráficos, os ajustes para mudar o tipo de susto também foram bem vindos, já que antes muito se baseava na sua impossibilidade de ver o que estava a frente, ficando a mercê da câmera fixa do jogo.
O sistema de mapa recebeu uma mudança bem vinda, que é o fato dele destacar os itens que você passou e não pegou. Mapa também indica se você já fez tudo que podia naquela sala. Acho que indicar os itens que você deixou para trás deveria ser obrigatório para um mapa de jogo, sendo um componente adicional para imersão naquele mundo.

O level design segue muito bem entrelaçado e apoiado nos puzzles do jogo, fazendo com que seja ao mesmo tempo desafiante e prazeroso ir atrás dos itens que você precisa para avançar para a próxima etapa.
A distribuição de itens pelo mapa segue interessante, pois além das munições serem escassas, a sua faca também quebra e com isso nunca fica a sensação de tranquilidade. Para o velho aqui, esta é uma das características mais marcantes em RE. Foi um dos últimos jogos que lembro que você podia chegar em um momento que não dava mais para seguir adiante, já que não tinha mais recursos. Mesmo os outros RE acabaram perdendo esta característica, que só lembro de sentir novamente, bem timidamente, jogando “The Last of Us”.
Não quero entrar em spoilers aqui, mas tem um elemento de jogo que foi adicionado e gostei muito. Chega um momento que o cenário fica tão familiar que você passa a navegar com tranquilidade ali e daí este elemento de jogo aparece e muda totalmente a dinâmica de jogo, tirando você da zona de conforto.
O jogo, na dificuldade normal, está um pouco mais fácil que o original, principalmente por conta dos saves infinitos ao chegar numa safe room, mas ainda assim segue sendo um jogo que requer estratégia e cuidado com os recursos. Segue sendo mais difícil que a maioria dos jogos atuais. Só que é uma dificuldade que faz sentido e trabalha a favor da imersão. Ponto positivo.

Entendo a reclamação de quem não gostou da mudança na maneira de jogar os cenários de Leon e Claire, já que aqui está diferente do original, porém, o cuidado com tantos outros detalhes do jogo faz com que isso seja algo pequeno. Jogabilidade e level design quase perfeitos:

Velho Também joga: review de “Resident Evil 2”. Jogabilidade e Level Design: 4,5 bengalinhas de 5.

Um clássico de volta à vida, para seguir clássico

Resident Evil 2 Remake faz o subtítulo valer, pois cada detalhe técnico do jogo foi refeito sem economizar nos esforços. Os gráficos estão atuais, jogabilidade primorosa e a história que gostamos segue intocada. Os novos elementos foram muito bem vindos, mudando a dinâmica do jogo original, que em alguns momentos ficava mais parada e tranquila.
Em minha opinião você tem que jogar as duas campanhas para ter a visão total da história e caso esteja sem tempo/paciência, jogue a primeira campanha no modo de dificuldade que mais te agradar e a segunda no mais fácil, somente para pegar a história inteira. O jogo é curto, tem preço cheio (o que é justo, já que realmente é um jogo novo) e merece que você o jogue por inteiro.
Resident Evil 2 remake já é um dos melhores jogos que joguei em 2021 (sei que demorei para fazer isso) e vendo a lista de lançamentos pela frente, acho muito difícil ele ficar fora do meu top 10 no final do ano. Foi como rever um antigo amigo da escola e descobrir que, apesar dele ter amadurecido, segue sendo muito divertido e ainda te traz um pouco de nostalgia saudável.

Resident Evil 2 já era um dos grandes clássicos dos videogames e o Remake vem garantir que o jogo seguirá assim para as próximas gerações. *Não é uma média aritmética.

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